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Ladislau Dowbor: “Economist sempre defendeu especuladores”

“Festival de Besteiras que Assola o País” da grande mídia ainda está para ser escrito, diz professor. Resultado é que população, desinformada, paga juros altíssimos

O economista, professor da pós-graduação em Economia e Administração da PUC-SP, consultor da ONU e escritor Ladislau Dowbor é, além de pensador e ativista, um gozador. Com seu bom humor característico, fala em entrevista ao Portal Panorama Mercantil exatamente o que pensa da mídia corporativa - a britânica e a tupiniquim - e desmistifica o mantra, que ela repete incansavelmente, de que a economia brasileira estaria indo para o brejo. Na contramão do pensamento dominante, defende a CPMF e afirma que a carga tributária do Brasil não é alta não, senhor. E ri quando convidado a comentar a célebre frase do banqueiro do Itaú Olavo Setúbal, já falecido: “O capitalismo pode não ser justo, mas é eficiente.” A seguir, trechos da entrevista.

SOBRE O “PIBINHO”

“O PIB é uma conta que tem de ser ultrapassada, o que interessa é a qualidade de vida das pessoas. Temos um desemprego inferior a 5%, a renda dos trabalhadores aumenta, tiramos 40 milhões de pessoas da miséria, o desmatamento da Amazônia que atingiu 28 mil km2 em 2002 está na faixa de 4,5 mil km2 – ainda um desastre, mas um imenso avanço – falar que os números são terríveis convence apenas a Veja.

No plano das contas, temos de fazer o seguimento de um conjunto de áreas sociais, ambientais e econômicas, em particular os indicadores de qualidade de vida. Na Inglaterra adotaram o Happy Planet Index, nos Estados Unidos temos os Calvert-Henderson Quality of Life Indicators, outros optaram pelo FIB, Felicidade Interna Bruta, mas o essencial é que um sociedade complexa como a de hoje não pode resumir as suas contas a um único número. Facilita a vida de jornalistas, mas não tem sentido.”

INDICADOR É FRÁGIL

“A fragilidade do PIB no Brasil tem a ver com o cartel dos bancos e os juros para pessoa física e jurídica, o dreno dos recursos via dívida pública, os investimentos em infraestruturas (inicialmente desviam recursos do consumo,e se materializam em maior produtividade sistêmica apenas após a conclusão), as remessas de lucros das empresas transnacionais dos países do Norte que buscam tapar os seus buracos nas matrizes (o gigante mundial Santander tem 25% dos seus lucros vindos do Brasil), os paraísos fiscais (no relatório do TJN a participação do Brasil é da ordem de 520 bilhões de dólares no estoque de dinheiro de evasão fiscal, corrupção, lavagem de dinheiro de drogas e outros), o próprio perfil do capital de IDE (Investimentos Diretos Externos), que em vez de investir compra empresas já existentes, os próprios entraves estruturais herdados, como por exemplo os sistemas de mobilidade urbana centrados no transporte individual que geram sobre-custos e reduzem a produtividade sistêmica. Tudo isto é conhecido, e exige um forte apoio político para avançar.

A mídia não ajuda a criar esta dinâmica, apenas denunciando o “pibinho”. A boa gestão da economia exige saber o quê se produz, para quem, com que custos ambientais, com que sustentabilidade de longo prazo. Um marceneiro que decide abrir a sua própria marcenaria vai ter de adiar a compra do carrinho para pagar as máquinas. Em casa vão chiar com o pibinho. Mas amanhã produzirá melhor.”

REFORMA TRIBUTÁRIA

“Estamos esperando Godot (peça do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. A expressão é usada quando quer se indicar algo impossível de acontecer). Todos acham e sabem que é preciso mudar, e nada muda, pois ficam todos agarrados no sistema existente, cada um achou o seu nicho de sobrevivência, ainda que sabendo que a mudança sistêmica é inevitável. Os eixos são conhecidos, centrados na redução relativa da tributação do trabalho, redução do imposto indireto que atinge proporcionalmente mais os mais pobres, aumento das alíquotas do IR sobre os mais ricos (no nível dos EUA ou da Europa), criação de um ITR (Imposto Territorial Rural) que tenha pés e cabeça, um imposto sobre a fortuna e sobre herança que reduza a concentração da riqueza domiciliar acumulada. E naturalmente, está na hora de nos articularmos com uma série de países que estão decididos a repatriar os cerca de 20 trilhões de dólares (segundo o Economist) que estão vivendo sonegados em Delaware e Miami, nos Estados Unidos, na praça de Londres, nas Ilhas Virgens britânicas e outros. Quase um terço do PIB mundial.”

DINÂMICAS ESTRUTURAIS

“A construção de ferrovias, portos, ou de hidroelétricas são projetos de maturação tipicamente de 15 anos. Eu entendo a Dilma dizer que o PIB melhora daqui a pouco, os jornalistas só olham por este buraquinho da fechadura e a pressão é grande. Mas nada muda em três meses e meio. E as coisas que mudam neste tipo de tempo não têm importância. O que precisamos olhar são as dinâmicas estruturais: o Pronaf, o Prouni (Programa Universidade para Todos), as ferrovias, os estaleiros navais, os 40 milhões que saem da miséria, o luz para todos, o aumento do salário mínimo, o aumento do emprego. A produtividade é o resultado de um conjunto de iniciativas convergentes, e a lógica destes investimentos é que tem de ser acompanhada.”

“CAPITALISMO NÃO É JUSTO, MAS É EFICIENTE”

“Falar em eficiência nos bancos comerciais no Brasil é até curioso. Ordem de grandeza 60% de juros para pessoa jurídica, 110% para pessoa física, 160% no cheque especial, 238% no giro no cartão, assim até freira fica eficiente. Quando você vende um produto, no crediário, cobrando 100%, você está reduzindo a capacidade de compra do cliente pela metade. Isto trava a economia, mas rende barbaridade para o intermediário financeiro, o cobrador de pedágio. O pobre, que não tem como pagar à vista, perde a metade da sua capacidade de compra. A economia esfria. E dizem “estamos facilitando…”. A pergunta não é se é eficiente, e sim eficiente para quem. A raposa é uma gestora eficiente de galinheiros, do seu ponto de vista, naturalmente.”

THE ECONOMIST, FINANCIAL TIMES

“Ambas publicações são competentes, e defendem com competência os seus interesses. Não estão preocupados com alguma “verdade”, e sim com a sua verdade, ou seja, os seus interesses. O Economist sempre defendeu os especuladores financeiros. Com a crise mundial de 2008, não sabia bem como sair da posição incômoda, não ousava mais chamar de “investors” os pilantras que tanto defendia. Resolveu a questão com elegância, passou a chamar os investidores institucionais, hedge funds e outros centros de malandragem – neste momento todos com processos na Justiça por fraude, manipulação da Libor e Euribor, lavagem de dinheiro, dupla contabilidade e gestão de dinheiro ilegal – de “speculative investors”. A Alemanha está se saindo melhor da crise não só porque tem uma indústria eficiente, mas porque o grosso das poupanças alemãs, cerca de 60%, estão locadas em caixas de poupança locais, assegurando que cada pequena cidade tenha como financiar projetos locais de desenvolvimento, em vez de navegar na especulação mundial. Em 2007, o Economist dizia que esta opção era um sinal de atraso, e que aplicar nos grandes grupos seria mais produtivo. Mais produtivo para quem? A Polônia é o país que melhor enfrentou a crise entre os países europeus, segundo o próprio Economist. Guardou o seu sistema anterior com 472 bancos cooperativos, em que os associados garantem que o dinheiro sirva para financiar o que é necessário, e não intermediários. Balcerowicz, um dos economistas proeminentes na Polônia, comenta com bom humor que a Polônia foi salva por seu atraso no sistema bancário. Há pouco tempo ainda, e evidentemente antes da crise, o FMI assegurava calmamente que a globalização é um sistema que permite que o dinheiro flua para onde melhor servirá o desenvolvimento. Tutti buona gente.”

MÍDIA CORPORATIVA TUPINIQUIM

“A grande mídia deforma sistematicamente a compreensão dos processos econômicos. Não é por ignorância dos jornalistas, há muita gente competente, mas pela pauta política comandada pelos quatro grupos que gerem a informação no país. Por exemplo, o fato de não informar adequadamente sobre o escândalo dos juros ao consumidor final (veja-se ANEFAC para pesquisa mensal de juros realmente existentes) é simplesmente vergonhoso. A Veja, por exemplo, com o fim da CPMF, colocou na capa um leão com chapeuzinho de papai Noel, dizendo que o Leão estava devolvendo 80 bilhões para a população, quando se tratava dos bancos pararem de pagar sobre movimentações financeiras. Para a população era uma diferença simbólica, mas para os profissionais de movimentações financeiras, os bancos, era um ônus real. E era dinheiro que ia para a saúde, ou seja, o imposto tecnicamente mais performante e mais justo foi o único abolido. Sobretudo porque os bancos detestavam o rastreamento de movimentações que a CPMF permitia. Enfim, o FEBEAPA (Festival de Besteiras que Assola o País, criado pelo jornalista Sérgio Porto o Stanislaw Ponte Preta) da grande mídia ainda está por ser escrito. O resultado é uma população desinformada sobre as opções econômicas. A convite do Akatu participei do lançamento de uma cartilha para as pessoas aprenderem a se proteger dos intermediários financeiros. Uma ONG ser obrigada a imprimir folhetos para proteger a população, francamente… É interessante pensar que uma pessoa pode fazer todo o ciclo escolar sem nunca ter tido uma única lição sobre como funciona o dinheiro, mecanismo principal das dinâmicas econômicas.”

JUROS E INFLAÇÃO

“A taxa Selic foi um instrumento impressionante de transferência de recursos públicos para rentistas, pessoas que vivem de renda financeira, em vez de investir e produzir. Em 2002 a taxa Selic estava em 24,5%. Tinha chegado a 46%. O cidadão põe a sua poupança no banco, que lhe paga quando muito 8% ao ano. O banco coloca este dinheiro em títulos públicos, remunerados pela Selic a 24,5%. O governo paga isto com os impostos pagos pelo cidadão, que de um bolso deposita no banco que lhe paga 8%, enquanto de outro bolso tira 24,5% para dar ao governo para que este remunere o banco pelo prazer de ter o seu dinheiro. Centenas de bilhões de reais de dinheiro público foram (e estão sendo, ainda que com taxa incomparavelmente menor) assim transferidos para intermediários financeiros. A taxa Selic não tem efeito significativo sobre a inflação, esta constitui um pretexto. O que é significativo é o juro ao tomador final. Na realidade, este juro ao tomador final é tão elevado, que contribui para a elevação dos custos de produção. É fator de custos elevados, e portanto de inflação. Mas ao ler a mídia, a confusão que é gerada entre a taxa Selic e os juros ao tomador final (os que são apresentados por exemplo na pesquisa mensal mencionada da ANEFAC), simplesmente evita que a população entenda a dinâmica. A taxa Selic, descontando a inflação, é hoje bem mais razoável, uma vitória deste governo. Mas pode baixar mais sim, apesar dos gritos dos rentistas que agitam o espectro da inflação a cada 0,25% de queda da Selic.

FONTE  http://dowbor.org/2013/05/entrevista-com-ladislau-dowbor-para-portal-panorama-mercantil-maio-2013.html/



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