TTF Brasil - Notícias

Notícias de parceiros

  • Instituto Justiça Fiscal

    Para 79% da população, o Estado tem o dever de reduzir as desigualdades

    Pesquisa da Oxfam Brasil [Leia Mais]

  • Instituto Justiça Fiscal

    A Injustiça Fiscal da Política de Austeridade

    Austeridade é política de corte para satisfazer o mercado financeiro. Entrevista com economista Marcelo Milan. [Leia Mais]

  • Outras Palavras

    Dowbor: como as corporações cercam a democracia

    Como os chacais desafiam o funcionamento das instituições políticas e jurídica em busca de ganhos fartos. [Leia Mais]

  • Instituto Justiça Fiscal

    Despesas da Copa do Mundo

    Ministério Público do Rio Grande do Sul requer que Fifa e Internacional devolvam dinheiro gasto com estruturas temporárias da Cop [Leia Mais]

Arquivos de Notícia

Últimas notícias

  • 19.08.2016 - Gestos promove tuitaço por democracia econômica e em defesa do SUS [Leia Mais]

  • 04.08.2016 - Devo não nego, pago quando puder [Leia Mais]

  • 15.07.2016 - Gestos encaminha pedido de audiência pública para debater TTF no Congresso Nacional [Leia Mais]

  • 05.07.2016 - Projeto Robin Hood quer reduzir desigualdades [Leia Mais]

  • 04.07.2016 - A crise do capitalismo financeiro vai ao cinema [Leia Mais]

  • 22.06.2016 - Mastigando o Economês: Meta Fiscal e Dívida Pública [Leia Mais]

  • 06.06.2016 - Educação Política e Econômica, eis a nossa proposta! [Leia Mais]

  • 16.05.2016 - A Consistência dos Inconsistentes [Leia Mais]

  • 13.05.2016 - Os Panama Papers e a necessidade de monitorar o fluxo de capitais [Leia Mais]

  • 11.05.2016 - Os efeitos positivos dos tributos sobre transações financeiras (TTF) no Brasil [Leia Mais]

  • 03.05.2016 - IOF para compra de moeda estrangeira sobe de 0,38% para 1,10% [Leia Mais]

  • 02.05.2016 - Novo Marco Regulatório das ONGs assinado pela Presidenta Dilma é debatido no Recife [Leia Mais]

  • 20.04.2016 - TIRADENTES, PIONEIRO NA LUTA CONTRA OS IMPOSTOS [Leia Mais]

  • 14.04.2016 - Artigo - IOF: o que é e o que pode ser? [Leia Mais]

  • 29.03.2016 - Combater a sonegação também é fazer justiça fiscal [Leia Mais]

  • 28.03.2016 - Democracia e Direitos para uma Política Madura [Leia Mais]

  • 11.03.2016 - JUSTIÇA FISCAL E O LUCRO DOS BANCOS [Leia Mais]

  • 01.03.2016 - Com animação fica mais fácil de entender [Leia Mais]

  • 24.07.2015 - Terceira Conferência do Financiamento para o Desenvolvimento Desaponta e perde Ambição [Leia Mais]

Chipre: o que há por trás do silêncio da mídia

Ensaio jornalístico de Roberto Savio revela: quais as causas da crise; como oligarquia financeira impôs seus interesses; por que Alemanha pode ter conquistado vitória de Pirro. Por Antonio Martins

Vista pelos jornais comerciais, a crise financeira vivida por Chipre, nas duas √ļltimas semanas, parece um fen√īmeno t√£o inesperado e imprevis√≠vel quanto a¬†queda de um meteoro¬†na R√ļssia, em fevereiro. Surgiu do nada; n√£o podia ser evitada; causou um n√ļmero importante de v√≠timas; mas n√£o afetou, no fim das contas, a rotina do planeta: ser√° esquecida em breve e n√£o h√° li√ß√Ķes a tirar de sua passagem. Fundador da¬†Ag√™ncia IPS, participante destacado do movimento por uma¬†Nova Ordem Mundial da Informa√ß√£o e Comunica√ß√£o, anos 1970 e 80, o jornalista √≠talo-argentino Roberto Savio percebeu que esta imagem pretendia ocultar algo.

Mas n√£o se limitou a vociferar contra os oligop√≥lios da m√≠dia: foi √† luta. Dedicou tr√™s dias inteiros da semana passada a uma busca minuciosa de informa√ß√Ķes. Como ferramentas, usou sua compreens√£o dos mecanismos financeiros contempor√Ęneos os infinitos terabytes de informa√ß√£o ca√≥tica dispon√≠veis na internet. Produziu um ensaio esclarecedor e alarmante, que¬†Outras Palavras¬†est√° traduzindo e publicar√° nos pr√≥ximos dias. Vele a pena antecipar ao menos tr√™s de suas conclus√Ķes:

1. Chipre não protegia investidores sujos, nem quebrou por servir à lavagem de dinheiro:
A "explica√ß√£o" mais comum da m√≠dia para a quebra do pequeno pa√≠s insular √© a suposta prote√ß√£o que dava a investimentos de origem duvidosa, em especial os ligados √†s m√°fias russas. N√£o passa de mito, demonstra Savio. Segundo o¬†Moneyval, organismo oficial do Conselho da Europa que avalia medidas de prote√ß√£o contra lavagem de dinheiro, √© Chipre um dos poucos pa√≠ses que aplica todas as regras definidas para coibir tal pr√°tica. Sua avalia√ß√£o no¬†√ćndice de Sigilo Financeiro¬†[Financial Secrecy Index] √© 408,5, o que indica muito mais transpar√™ncia que no Reino Unido (616,5), Alemanha (669,8) ou Su√≠√ßa (1879,2, numa escala em quanto mais alto o √≠ndice, mais opaco √© o sistema).

O mimo da ilha aos investidores era outro: impostos extremamente reduzidos: 6 a 7% ao ano, contra 12% na Irlanda, conhecida por ca√ßar investimentos concedendo-lhes privil√©gios tribut√°rios. A partir de 2004, quando Chipre ingressou na Uni√£o Europeia, esta oferta foi aceita com entusiasmo pelas finan√ßas globais. Eles inundaram a tal ponto a ilha de dinheiro que o volume de dep√≥sitos banc√°rios chegou a¬†oito vezes¬†o PIB. A partir de 2008, uma crise financeira internacional prolongada imp√īs perdas sucessivas a estes dep√≥sitos e acabou¬†tragando os bancos cipriotas em sua espiral.

2. Oligarquia financeira e governos europeus manipularam politicamente a crise:
Os 10 bilh√Ķes de euros oferecidos agora pela Uni√£o Europeia (UE) para o "resgate" de Chipre s√£o rigorosamente insignificantes: 17 vezes menos que o empr√©stimo √† Gr√©cia, ou 0,06% do PIB europeu. Desde junho de 2012, o ent√£o presidente cipriota,¬†Dimitris Christofias, havia pedido assist√™ncia √† UE. Mas as elei√ß√Ķes presidenciais na ilha estavam pr√≥ximas, e Christofias era o √ļnico chefe de Estado do Velho Continente eleito por um Partido Comunista.

O empr√©stimo foi adiado, enquanto a crise se agravava. ¬†Em janeiro de 2013, diversos chefes de Estado europeus conservadores -- inclusive a alem√£ Angela Merkel -- visitaram a ilha para participar da campanha do opositor¬†Nicos Anastasiades. Advogado ligado ao sistema financeiro, ele tornou-se presidente em 25/2, no segundo turno das elei√ß√Ķes. Ent√£o, fez-se o empr√©stimo.

3. Uma decisão inédita pode abalar confiança na Europa e no sistema financeiro:
Na defini√ß√£o das condi√ß√Ķes para o "resgate", prevaleceu a posi√ß√£o alem√£. Criou-se um precedente. Pela primeira vez, a UE exigiu que seu empr√©stimo (os Ä 10 bilh√Ķes) seja complementado por dinheiro retirado dos pr√≥prios depositantes nos bancos cipriotas (eles perder√£o Ä 7 trilh√Ķes). ¬†Em longa entrevista sobre o caso o ministro das Finan√ßas da Holanda (fortemente aliada a Berlim) anunciou que tal tipo de arranjo √© a "nova estrutura" que ser√° usada nos futuros empr√©stimos.

Isso valer√° para Espanha e It√°lia, cuja situa√ß√£o financeira continua a se agravar? Dezenas de milh√Ķes de espanh√≥is e italianos perder√£o parte do que t√™m nos bancos, como ocorreu no¬†corralito¬†argentino de 2001? Savio v√™ na hip√≥tese uma esperteza e, ao mesmo tempo, uma temeridade. Como os bancos alem√£es s√£o vistos como os mais seguros da Europa, o precedente pode favorec√™-los fortemente, no curto prazo. Se agora os dep√≥sitos banc√°rios n√£o est√£o mais garantidos pelos Estados europeus, √© melhor guardar dinheiro nos bancos fortes, pensar√£o os depositantes. Ou, como disse o Nobel de Economia Paul Krugman, √© como anunciar, num aviso de neon: "Traga seu dinheiro para o banco mais seguro dos pa√≠ses mais seguros, como a Alemanha ou a Su√≠√ßa"...

Porém, que futuro terá uma Europa que radicaliza a tal ponto o abismo entre um punhado de países que ganham com a crise e a grande maioria, sob risco constante de ser tragada? E que credibilidade moral terá um sistema financeiro que especula desenfreadamente com o dinheiro de seus depositantes; alimenta, com os ganhos obtidos, salários e mordomias milionárias de seus altos executivos; mas, diante de eventuais prejuízos, avança sobre o bolso destes depositantes?

Roberto Savio ainda não tem as respostas, mas aponta um dos desafios de nossa época: "ninguém ousa colocar de novo, na garrafa, o gênio da oligarquia financeira".



Comentar notícia

A campanha pelas TTF demanda uma taxa sobre as transações financeiras internacionais Ė mercados de câmbio, ações e derivativos. Com alíquotas menores que 1%, elas incidirão sobre um volume astronômico de recursos pois esses mercados giram trilhões de dólares por dia.

http://www.outraspalavras.net